Logo news 26/09/2018
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Apontado no mapeamento como uma das lideranças do setor na cidade e fundador da Qranio – um dos cases de sucesso de Juiz de Fora – Samir Iásbeck acredita que a cidade tem tudo o que precisa para ser um polo reconhecido de startups no Estado, mas falta o que ele chama de “liga” entre os atores do ecossistema. “Temos muitas startups nascendo, contamos com incentivo fiscal e formamos mão de obra de qualidade, pois Juiz de Fora tem universidades com mais de dez cursos ligados a tecnologia. Talvez o que falta seja um líder, um expoente que pega o boi pelo chifre e faça as conexões necessárias para o ecossistema crescer”, avalia.

O empreendedor também acredita que o governo municipal pode ter uma ação mais ativa no desenvolvimento do ecossistema. Ele sugere a criação de uma aceleradora pública aos moldes do que o governo de Minas fez com o Seed. “Não é muito complicado: precisamos de uma casa com estrutura de trabalho, internet e um edital para selecionar startups. Se o governo seleciona dez por ano e uma tem êxito, ele terá um retorno surpreendente com geração de emprego de alto valor agregado e arrecadará tributos”, frisa.

Iásbeck afirma que já foi cobrado pelos investidores para mudar a sede da Qranio para São Paulo. A proposta faz sentido para a startup que só tem um cliente em Juiz de Fora e todos os outros na capital paulista. Mas, segundo o empreendedor, a permanência no município mineiro se dá por uma questão pessoal que ele tem com a cidade e também por causa da mão de obra, que é de qualidade e baixo custo. “Em Juiz de Fora eu também tenho menor rotatividade de funcionários, o que me ajuda a extrair mais do capital intelectual”, diz.

A visão de uma Juiz de Fora que aproveita pouco seu potencial é compartilhada pela CEO da startup E-miolo, Thelma Valverde. A empresa, que existe na cidade desde 2005, desenvolve inteligência em nuvem sob medida como foco na integração de soluções utilizadas pelas empresas, como aplicativos, chatbots e softwares de gestão. De acordo com a CEO, a maior parte dos clientes da startup está em São Paulo.

“Ao mesmo tempo que Juiz de Fora produz muitos talentos e startups por causa da estrutura de universidades, a cidade não consegue suprir essas empresas de clientes locais porque não há uma cultura de inovação em todos os elos da cadeia. É difícil vender disrupção para clientes que não entendem o processo de construção da solução. Infelizmente, as empresas que são criadas aqui são obrigadas a se mudar ou a vender para outras cidades”, afirma.

Para Thelma Valverde, esse problema seria minimizado se o ambiente de inovação fosse fomentado entre os diferentes públicos da cidade. A CEO explica que a permanência da E-miolo em Juiz de Fora tem a ver com a captação de mão de obra de qualidade e com a qualidade de vida que os gestores e funcionários encontram no município.